Presidente da Câmara será membro consultor da Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil
O presidente da Câmara Municipal de Uberlândia, Professor Neivaldo, será empossado no próxima sexta-feira (06), em Brasília, como membro consultor da Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil. A Comissão foi criada pela Ordem dos Advogados do Brasil no início de novembro do ano passado, com a bandeira de luta pelo fim do racismo e do preconceito.
Hoje pela manhã (04) o presidente se reuniu em seu gabinete com membros do Movimento Negro de Uberlândia, e com o advogado Dr. Humberto Adami, que será nomeado Presidente da Comissão também no próximo dia 06, para esclarecer o processo de criação da comissão e convocar o movimento para participar ativamente das discussões que se inciam na sexta-feira, após a posse de todos os membros.
Os integrantes da reunião também foram recebidos no Plenário Homero Santos durante a sessão ordinária. Na tribuna, o Dr. Adami explicou que a Comissão foi uma iniciativa do Conselho Federal da OAB e conta com participação do Poder Judiciário e do Ministério Público, nos mesmos moldes da Comissão da Verdade, que apurou os crimes e torturas da ditadura militar. “Quem mais sofreu tortura foi a população negra desde que chegou no Brasil”, disse
Humberto Adami também fez referência às cotas para negros em universidades federais e rebateu críticas quanto a esse modelo de ação afirmativa ao justificar que apenas um número muito pequeno de vagas são destinadas às cotas raciais. “A exclusão dos afrodescendentes não se vê refletida nesse Brasil que parece mais uma Dinamarca em seu imaginário”, protestou. O advogado considera que é preciso descobrir a história dos descendentes africanos e disse esperar que a presidente Dilma crie a mesma comissão em nível federal.
Função da Comissão
A comissão terá como funções o resgate histórico do período da escravidão no Brasil, a aferição de responsabilidades e a demonstração da importância das ações de afirmação como meio de reparação à população negra. O plenário da OAB também aprovou no início de novembro do ano passado o encaminhamento de sugestão ao Governo Federal para que crie comissão semelhante, para atuar nos moldes do que faz hoje em dia o grupo que apura os crimes cometidos durante a ditadura militar.
Texto: Emiliza Didier; foto: Aline Rezende





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