Câncer na gestação

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Apesar de raro, pode ser tratado durante a gravidez. Exames preventivos podem evitar o problema

A gestação é um período de alegria, planejamento e ansiedade para a família. Cuidar da saúde, ter um acompanhamento médico regular e não se esquecer dos exames de rotina são recomendações que todas as mulheres devem seguir, principalmente, as que têm planos de engravidar, evitando assim possíveis problemas de saúde, como o câncer.

A professora de educação física Vanezia da Silva, comemorava no final de 2012 o nascimento de seu segundo filho, quando ainda no período de amamentação, percebeu um caroço no seio. Tanto ela, quanto o médico que a atendia na época não deram muita atenção ao caso. Após seis meses ela começou a sentir dores e percebeu que o caroço havia aumentado de tamanho. “Procurei um novo especialista e descobri que não era normal ter nódulos no corpo. Fiz alguns exames, entre eles a mamografia e a biopsia e neste processo acabei descobrindo uma nova gravidez”, conta. Quando ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama já estava com cinco meses de gestação: “Foi bem difícil. O tratamento foi intenso, fiz duas sessões de quimioterapia, porém na segunda entrei em trabalho de parto e o meu filho nasceu prematuro, em julho de 2013”.

O diagnóstico de câncer na gravidez gera um importante impacto emocional em toda a família, pois é um problema muito delicado. “Muitas mulheres fazem seu primeiro papanicolau só no pré-natal daí acabam descobrindo algum problema que poderia ser tratado antes da gravidez”, alerta Dr. Rodolfo Gadia, oncologista clínico do Centro Oncológico do Triângulo – COT.

Os cânceres mais diagnosticados na gestação são os de mama, colo de útero e, mais raramente, linfomas, leucemias e o melanoma. Não é comum entre as mulheres, mas costuma acometer mais aquelas entre 30 e 35 anos. Independente da idade é essencial, segundo o oncologista, ter um diagnóstico precoce. “O importante é a rápida identificação do nódulo suspeito na mama ou lesões no útero, pois tumores diagnosticados na fase inicial têm o mesmo prognóstico e chance de cura dos detectados em não gestantes”, explica.



Tratamento

O tratamento de gestantes com câncer deve ser cuidadoso, pois a mudança do metabolismo altera a forma como as drogas reagem no organismo. “A realização de cirurgia, quimioterapia ou ambas vai depender da idade gestacional e do estágio de cada tumor. A partir do segundo trimestre de gestação, as pacientes já podem receber alguns agentes quimioterápicos com segurança, pois os órgãos do feto já estão formados. Já a radioterapia deve ser evitada sempre que possível, porque é difícil conter a radiação e o bebê pode até nascer saudável, mas com sequelas que podem se manifestar em até 20 ou 25 anos depois”, explica Dr. Rodolfo Gadia.

Hoje já existem anestesias para a operação que podem ser usadas em pacientes grávidas com segurança e, no pré-natal e pós-operatório, para aliviar a dor, pode-se usar vários analgésicos específicos, com exceção de anti-inflamatórios não – esteroidais, pois podem atacar a placenta, rins e coração da gestante e do feto. Apesar dos avanços nos tratamentos para as gestantes, o médico recomenda: “a melhor forma de evitar a doença na gravidez ainda são os exames preventivos antes de entrar no período de gestação e o papanicolau e a ultrassonografia, caso o obstetra encontre alguma alteração no exame físico, devem ser realizados nas consultas iniciais do pré-natal”, recomenda.

Vanezia afirma que não esperava o diagnóstico, pois mantinha uma vida saudável e não tinha histórico de câncer na família. Apesar de todo período conturbado que passou, ela comemora o sucesso do tratamento e a saúde do filho Pedro, que hoje está com dois anos. “Dos meus filhos Pedro é o mais forte e desenvolvido. Hoje faço o alerta para todas as pessoas. Temos que estar mais atentos aos sinais que nos aparecem. Demorei muito para procurar ajuda. Hoje sou mais resguardada com o meu corpo e tenho atenção redobrada”, finaliza Vanezia.



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