Atuação do fumacê vai muito além de fumaça e barulho


No combate ao mosquito transmissor da dengue, a Prefeitura de Uberlândia tem uma arma que é velha conhecida da população: o fumacê. Mas, se ela é conhecida e utilizada para proteger a você leitor e a sua família, qual o motivo para que a população feche a janela e a porta logo ao escutar aquele barulho e sentir aquele odor característico?
Afastar a fumaça de casa é um erro, mesmo que para muitos, o cheiro lembre “goiaba podre”. A atitude correta, cidadão, é abrir sua casa, seu comércio e todo ambiente de seu convívio. O coordenador do Programa de Controle da Dengue, Edimar Olegário, faz um alerta. “Muitas vezes, vemos as pessoas fecharem as janelas e portas quando o carro passa, mas é exatamente o oposto que deve ser feito. Precisamos abrir a casa para que o inseticida tenha um maior alcance no interior das residências, onde o mosquito geralmente se esconde”, explica.

Tecnicamente, os municípios utilizam um inseticida chamado malathion, que é misturado em óleo de soja limpo e espalhado por meio do Ultra Baixo Volume (UBV), no qual gotículas são produzidas por um equipamento que realiza pulverizações em aerossol a frio, de modo a se tornar uma espécie de neblina no ambiente, que deixa o produto suspenso no ar por até duas horas após a aplicação. O mosquito, ao passar no meio dessa neblina, é atingido pelas partículas do inseticida e eliminado.

De acordo com Edimar Olegário a utilização desse recurso é necessária quando há vários casos notificados de dengue numa mesma região. “Pelo maior poder de alcance, utilizamos o UBV pesado quando temos muitos casos concentrados em um mesmo setor, pois assim buscamos eliminar o máximo de mosquitos que possam porventura estar infectados com o vírus da dengue”, explica.
Mas, o UBV não pode ser utilizado em qualquer ocasião. Para a aplicação são necessários critérios técnicos, como por exemplo, que o município esteja com uma taxa de incidência superior a 300 casos por 100 habitantes, que é a realidade de Uberlândia neste momento. Outro ponto: o equipamento não pertence aos municípios e, sim, ao Estado que é responsável pela liberação dos veículos, do veneno e do óleo que faz parte da fumaça lançada. E não para por aí. Mais um fator forma as variáveis para a circulação do fumacê: o clima. Se tiver chuva ou vento, não é possível aplicar o UBV, uma vez que as partículas do veneno se ajuntam e caem, perdendo eficiência.

Curiosidades

As caminhonetes circulam a uma velocidade de 10 KM/h em cada quarteirão sempre à direita, sendo este o motivo de, às vezes, vermos um veículo com o fumacê andando no sentido contrário ao fluxo do trânsito. Isso acontece porque os veículos estão equipados com uma máquina que direciona o jato com o inseticida à direita.
Será que alguém já se perguntou o porquê do UBV pesado ganhar o apelido de fumacê? Isso se deve ao fato de que no passado o inseticida era espalhado por meio de uma técnica chamada termonebulização, na qual uma nuvem de gotículas de inseticida é produzida, dando a aparência de uma fumaça branca e densa e com odor característico. Daí o apelido do nosso conhecido fumacê.
E por que será que as caminhonetes circulam de madrugada, no início da manhã, no fim da tarde e a noite? Dois motivos são determinantes para a que a circulação do fumacê aconteça às 10h e após as 16h. O primeiro deles tem a ver com os hábitos do Aedes aegypti, que geralmente sai para se alimentar de sangue humano nesses horários, havendo, portanto, maior possibilidade de transmissão. O segundo já envolve o próprio clima. Não é possível obter a mesma eficácia do produto utilizado com mais incidência de raios solares, pois as partículas do veneno se espalharão e perderão sua eficácia.
E o nome UBV pesado vem da quantidade de produto ativo lançado no ambiente. Enquanto no UBV leve é 1/3 de produto ativo diluído em 2/3 de óleo de soja, no UBV pesado a proporção passa a ser de 50%. Além disso, no UBV leve a vazão é de 60 ml de mistura lançados por minuto, enquanto que no UBV pesado essa vazão passa a ser de 127 ml por minuto.

O UBV pesado sozinho não funciona

Por mais eficaz que o método seja na eliminação dos mosquitos adultos, o trabalho mais eficiente é aquele realizado por cada um de nós em nossas próprias casas. Segundo o último levantamento feito em março pela Secretaria de Saúde, mais de 90% dos focos estão nas residências, enquanto cerca de 9% estão nos terrenos baldios. Para o secretário de Saúde, Dario Passos, a população é peça fundamental no combate ao mosquito. “O município não entra na casa das pessoas todos os dias. É preciso que cada um tire uns minutos por dia para verificar as condições de sua casa e de seu quintal, pois somente assim conseguiremos eliminar o transmissor da dengue em seus estágios iniciais de desenvolvimento, ou seja, o estágio de larva”, disse.
O secretário ainda orienta quanto a importância das visitas domiciliares realizadas pelos agentes do Centro de Controle de Zoonoses. “É importante que a população facilite o acesso aos domicílios procurados e acate as orientações oferecidas. O agente de controle de zoonoses pode ser identificado visualmente pelo uniforme e crachá com a identificação do órgão”.
No caso de dúvida é possível confirmar a procedência da visita pelos telefones: 3213-1470 ou 3213-2391.


Secretaria Municipal de Comunicação Social
Av. Anselmo Alves dos Santos, 600, Uberlândia / MG

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